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Consumo de Carboidratos e Gorduras Associados a Doenças Cardiovasculares
Consumo de Carboidratos e Gorduras Associados a Doenças Cardiovasculares

O consumo de Carboidratos e Gorduras tem alguma relação com Doenças Cardiovasculares e o Risco de Mortalidade? Descubra agora.

Escrevi esse artigo como um Resumo Comentado do Estudo PURE (The Prospective Urban Rural Epidemiology – Estudo Prospectivo de Epidemiologia Urbana e Rural), publicado em 2017.

Trata-se de um estudo de larga escala populacional feito com análise de Questionários de Frequência Alimentar validados por Órgãos de Saúde e Registros Alimentares dos países estudados. 

A população estudada foi de 135.335 pessoas de 18 países de 5 continentes com idades de 35-70 anos no período de 2003 a 2013. 

Esse estudo “bate de frente” (conflita) com a maioria das Guidelines (diretrizes) que recomendam o alto consumo de Carboidratos (CHO) frente ao menor consumo de Gorduras

Sendo um estudo feito em tamanha magnitude (não são todos os dias que vemos estudos feitos com mais de 135 mil pessoas em 18 países), vale a pena estudá-lo com atenção e refletir sobre suas Conclusões e nossas decisões alimentares.

estudo pure sobre doenças cardiovasculares
Países envolvidos no estudo PURE sobre doenças degenerativas

Carboidratos e Gorduras Relacionados a Doenças Cardiovasculares

Dados Coletados e Comparados com a Literatura.

  • O Alto consumo de carboidratos CHO (>60% das kcal), especialmente os refinados como o açúcar, o arroz branco e pão branco, foi associado ao maior risco de Mortalidade total e doenças não-cardiovasculares.

Proporcionalmente, quanto maior o consumo de carboidratos CHO da região estudada, maior a mortalidade total

No estudo, metade dos participantes consumiam altas quantidades de carboidratos CHO e 1/4 consumia mais de 70% das calorias provindas de carboidratos CHO.

  • O estudo PURE foi o primeiro estudo de larga escala a associar o baixo consumo de gordura Saturada (<7% das kcal) e o alto consumo de carboidratos CHO (>60% das kcal) com o aumento na mortalidade total e eventos de Doenças Cardiovasculares.

No estudo, 50% dos participantes consumiam menos que 7% das kcal diárias vindas de gorduras saturadas e 75% deles menos que 10%. 

Ao contrário dos estudos feitos nos EUA e Europa, em que 50% dos participantes consumiam mais de 10% das calorias vindas de gorduras saturadas

Portanto, o alto consumo de gordura saturada teve associação inversa a riscos de mortalidade total, derrame e doenças não-cardiovasculares. 

Além disso, o consumo de gorduras totais, saturadas e insaturadas, não foi significantemente associado a doenças cardiovasculares (infarto no miocárdio ou mortalidade cardiovascular).

gorduras saturadas e poli
O consumo de gorduras totais, saturadas e insaturadas, não foi significantemente associado a doenças cardiovasculares - Creditos da imagem: dietapaleolowcarb.com.br
  • Com relação aos indicadores sanguíneos, o alto consumo de Gorduras foi associado ao aumento do Colesterol Total, mas com redução na proporção entre HDL e LDL (sendo isso algo positivo); redução dos Triglicérides (TG); e redução da relação entre apolipoproteínas* (ApoB e ApoA1).

    *apolipoproteínas: trata-se de uma proteína que liga lipídeos (gorduras), formando uma lipoproteína.

Em contraste, o alto consumo de carboidratos CHO foi associado com redução do Colesterol Total, mas com aumento na proporção entre HDL e LDL (sendo isso negativo); aumento no Triglicérides (TG); e aumento na proporção de apolipoproteínas (ApoB e ApoA1).

→ O aumento na proporção de apolipoproteinas (ApoB e ApoA1) é um forte marcador lipídico preditor de infarto no Miocárdio e Derrame Isquêmico (doença cardiovascular). 

→ Esses fatores podem explicar o maior risco de tais eventos patológicos com o alto consumo de carboidratos CHO e a redução geral de risco de doenças cardiovasculares com o maior consumo de Gorduras Saturadas e menor consumo de carboidratos CHO.

Segundo o estudo de coorte The Health Professionals Follow Up (Wang, Li, Chiuve et al), o baixo consumo de gorduras foi associado ao maior risco de mortalidade total, mortalidade por doença não-cardiovascular e derrame

O consumo de carboidratos CHO de alto índice glicêmico IG (açúcares, CHO refinados), foi associado ao alto risco de derrame isquêmico no estudo Nurses’ Health Study (Yu, Rimm, Qi, Rexrode, et al.). 

Nos dois estudos acima citados, o alto consumo de Gorduras Monoinsaturadas e Poliinsaturadas foi associado ao menor risco de Mortalidade total e Derrame (doença cardiovascular). 

Concordando com isso, no estudo de Yamagishi, Iso, Kokubo, et al., sobre a Dieta do Mediterrâneo, o risco de Mortalidade total e doenças Cardiovasculares foi reduzido pelo alto consumo de Azeite de Oliva e Castanhas.

dieta do mediterraneo
Sobre a Dieta do Mediterrâneo, o risco de Mortalidade total e doenças Cardiovasculares foi reduzido pelo alto consumo de Azeite de Oliva e Castanhas. Creditos da imagem: mundoboaforma.com.br

Substituição Isocalórica de Carboidratos por Gordura e o Reflexo nas Doenças Cardiovasculares

risco de derrame foi reduzido em 20% com a substituição isocalórica de carboidratos CHO por Gorduras Saturadas.

O que isso significa?

Significa que os carboidratos CHO foram substituídos na mesma quantidade em calorias por gorduras saturadas. Consequentemente, houve uma redução de 20% do risco de derrame (doença cardiovascular).

Conclusão e Recomendação de Dieta com relação à Doenças Cardiovasculares e Mortalidade

Os autores do PURE sugerem que limitar o consumo total de gorduras não é desejável para melhorar a saúde em populações, e um consumo total de 35% das kcal vindas de gorduras com a redução concomitante de carboidratos CHO pode reduzir os riscos de mortalidade total. 

Eles sugerem que dietas médias em carboidratos CHO (50-55% das Kcal) são mais recomendadas que dietas High e Low CHO (dicas ricas e/ou baixas em carboidratos) para se atingir um equilíbrio nutricional que não cause riscos a saúde e garanta a eficiência na realização de atividades físicas diárias

Justificam isso sob as afirmações de que o alto consumo de carboidratos CHO aumenta Triglicerídeos (TG) e reduz Colesterol HDL, apoliproteína B (ApoB) e ApoA1, aumenta um pouco o LDL e aumenta a Pressão Arterial (PA). 

E o baixo consumo de carboidratos CHO causa redução tanto de energia quanto do desempenho em atividades físicas

As conclusões desse estudo feito com mais de 135 mil pessoas em 18 países, discorda de afirmações encontradas em Guidelines/diretrizes sobre a recomendação de ingestão calórica para a população geral – onde é defendido o maior consumo de carboidratos CHO em detrimento ao menor consumo de Gordura

carboidrato x gordura
É sugerido que limitar o consumo total de gorduras não é desejável para melhorar a saúde em populações, e um consumo total de 35% das kcal vindas de gorduras com a redução concomitante de carboidratos CHO pode reduzir os riscos de mortalidade total.

Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o consumo de Gorduras seja de no máximo 30% das Kcal totais, sendo menos que 10% sejam Gorduras Saturadas.

Conclusão sobre a Relação dos Carboidratos e Gorduras com Doenças Cardiovasculares

Minhas conclusões sobre o tema do Artigo e do Estudo relacionadas a associação do consumo de CHO e Gorduras e sua influência nas Doenças Cardiovasculares e Mortalidade.

É sabido que todo estudo possui limitações. Estudos feitos em Laboratório excluem situações reais, e estudos feitos em situações mais reais excluem as mensurações mais específicas feitas em Laboratórios. 

Portanto, acredito em uma maior distribuição de Nutrientes de acordo com o que nosso Organismo foi minunciosamente programado. 

Paralelo a isso, basear a alimentação em alimentos naturais e que nosso Organismo reconheça como fonte de Nutrição.

Agora, minhas considerações em relação a um contexto geral.

Durante meus anos na Faculdade de Nutrição, fui orientado a seguir e a ler diversas Guidelines/diretrizes e Guias para a População Geral. 

Concomitante a isso, estudei sobre a História da Alimentação e as descobertas científicas não amplamente divulgadas e comparei com as transformações ocorridas na sociedade Contemporânea.

Percebo que a Dieta da População do “início dos tempos” até os últimos séculos era rica em produtos Orgânicos e/ou não-industrializados, com seus Macronutrientes divididos em proporções mais semelhantes entre Gorduras e Proteínas (sendo grande parte derivadas de animais); carboidratos CHO e Fibras derivados de Vegetais, Folhas e Frutas; e Vitaminas, Minerais e Antioxidantes com quantidade e proporções suficientes para suprir a demanda do Organismo. 

dieta dos ancestrais
Recomendo fortemente a leitura desse livro. Clique na imagem acima e veja a postagem que fiz no Instagram sobre ele. IG @victorsimoes

Na Idade Contemporânea, a Dieta da População é rica em produtos industrializados Processados (Cereais refinados, por exemplo), Ultra-processados (Doces, óleos e gorduras artificiais, fast-food, carnes embutidas, etc) e pobre em Fibras. 

Isso causou um grande desequilíbrio na proporção dos Macro e Micronutrientes, sendo exacerbado o consumo de carboidratos CHO e Gorduras Artificiais (óleos refinados, margarina, gordura hidrogenada e trans) devido a oferta de alimentos com maior densidade calórica (mais Calorias por 100g de alimento). 

Além disso, os processos de Industrialização e Refino dos alimentos geram perdas significativas em Vitaminas, Minerais e Antioxidantes, colaborando mais ainda para o Desequilíbrio do Organismo. 

 

Contudo, ainda tem mais: aumento do Sedentarismo se somou a todas essas mudanças alimentares e traduziu em uma Sociedade domada por Doenças Cardiovasculares e Degenerativas que a cada geração, danificam mais ainda o DNA do ser-humano, que em teoria é perfeito, mas na Prática está sendo constantemente destruído. 

Não fomos “programados” para consumirmos doces industrializados (ou tacar açúcar em algo), a retirarmos as cascas dos cereais, a transformar milho em Sucrilhos, a modificar geneticamente a Gordura e a criar alimentos em laboratório que nosso organismo não reconhece.

 

 

→ NÃO FOMOS FEITOS PARA CONSUMIR ALIMENTOS QUE NOSSO ORGANISMO RECONHECE COMO CORPOS ESTRANHOS! 

Macronutrientes Associados a Doenças Cardiovasculares 1 BR da Nutrição | Consultoria Fitness Online
Gordura trans esta associada a doenças degenerativas


OBSERVAÇÕES
:

  • Não associe o ALTO consumo de carboidratos CHO com problemas de saúde a uma recomendação de ZERAR ou consumir muito pouco carboidrato CHO

  • Minhas conclusões foram feitas tendo em mente que a BASE da alimentação seja de alimentos naturais (não que eu recomende abolir todo e qualquer alimento industrializado de nossas vidas – o que é impossível); 

  • A sociedade está inundada de conclusões precipitadas e sensacionalismo provocado pela Mídia e pelas PRÓPRIAS PESSOAS. 

 

Cheque suas fontes de informação e veja sempre a intenção por trás do emissor da notícia.

 

Abraços,

fisiculturista e atleta victor simoes
Victor Simões - Nutricionista Esportivo - VS Nutrição e Saúde

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Sobre o Autor

Nutricionista Victor Simoes
Nutricionista Victor Simoes

Nutricionista formado, CRN-3 63727. Bodybuilder, pós-graduado em Nutrição e Fisiologia aplicadas ao exercício físico e Publicitário.

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