A endometriose costuma ser associada à fase reprodutiva da mulher, mas ela não necessariamente desaparece quando chega a menopausa. Em algumas mulheres, as lesões podem continuar causando sintomas mesmo após o fim das menstruações.
Mas afinal, endometriose na menopausa é perigoso? Quais sintomas podem aparecer e como tratar a endometriose na menopausa?
Neste artigo, você vai entender por que a doença pode permanecer ativa após a menopausa, quais sinais merecem investigação, quais tratamentos podem ser utilizados e como alimentação e estilo de vida podem complementar o acompanhamento médico.
O que é Endometriose e Como Ela Pode Continuar Após a Menopausa?
A endometriose acontece quando tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir ovários, peritônio, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve. Essas lesões respondem à influência hormonal, especialmente ao estrogênio, e podem provocar inflamação, aderências e dor. [1] Com a menopausa e a queda do estrogênio, muitas mulheres percebem melhora dos sintomas. Entretanto, a doença não necessariamente desaparece. A diretriz da ESHRE destaca que a endometriose pode permanecer ativa e sintomática mesmo após a menopausa. [2]

Sintomas de Endometriose na Menopausa
Os sintomas de endometriose na menopausa podem ser semelhantes aos observados antes da menopausa, mas merecem atenção especial porque dores pélvicas novas nessa fase também podem estar relacionadas a outras condições.
Entre os principais sinais estão:
- Dor pélvica persistente: desconforto ou dor na região inferior do abdômen que pode ser contínua ou aparecer em determinados momentos.
- Dor durante a relação sexual: lesões profundas e aderências podem provocar desconforto durante ou após a relação.
- Alterações intestinais: constipação, diarreia, dor ao evacuar, distensão abdominal e sensação de pressão podem ocorrer quando existem lesões próximas ao intestino.
- Alterações urinárias: dor ao urinar, urgência urinária ou desconforto na região da bexiga podem aparecer quando o trato urinário está envolvido.
- Inchaço abdominal: algumas mulheres relatam distensão abdominal persistente associada à dor pélvica.
- Fadiga: embora seja um sintoma pouco específico, pode acompanhar quadros de dor crônica.
Na pós-menopausa, dor pélvica persistente, sangramento vaginal inesperado ou aparecimento de uma massa pélvica não devem ser atribuídos automaticamente à endometriose e precisam de avaliação médica. A ESHRE recomenda investigação adequada de massas pélvicas nessa população devido à incerteza sobre risco de malignidade.[3]
Endometriose na Menopausa é Perigoso?
Na maioria dos casos, ter endometriose não significa que a mulher desenvolverá uma complicação grave. Entretanto, a presença ou o reaparecimento de sintomas depois da menopausa merece uma investigação mais cuidadosa.
Um dos motivos é que a endometriose pode continuar ativa mesmo após a queda natural do estrogênio. Além disso, quando aparece uma massa pélvica depois da menopausa, é importante descartar outras doenças antes de atribuir o quadro somente à endometriose. [4]
A endometriose não está associada a um grande aumento do risco geral de câncer. Entretanto, estudos mostram uma associação com alguns tipos específicos, principalmente câncer de ovário, embora o aumento absoluto do risco seja pequeno. [5]
Por isso, sintomas novos como dor pélvica persistente, sangramento, alteração intestinal importante ou crescimento de uma massa devem ser avaliados por um ginecologista.
Como Tratar a Endometriose na Menopausa?
Como tratar a endometriose na menopausa depende dos sintomas, localização das lesões, histórico de tratamentos anteriores, uso de terapia hormonal e presença ou não de massas pélvicas.
Não existe um tratamento único para todas as mulheres.
Medicamentos para controle da dor
Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser utilizados para reduzir a dor em algumas pacientes, especialmente em quadros leves. Eles ajudam no controle dos sintomas, mas não eliminam as lesões de endometriose.[6]
Tratamento hormonal
Mulheres com histórico de endometriose que precisam tratar sintomas da menopausa devem discutir cuidadosamente a terapia hormonal com o ginecologista.
A ESHRE considera que a terapia hormonal combinada com estrogênio e progestagênio pode ser utilizada em algumas mulheres com histórico de endometriose. Por outro lado, recomenda evitar esquemas contendo somente estrogênio, devido à preocupação com possível reativação ou transformação maligna de doença residual. [7]
Inibidores da aromatase
Em mulheres na pós-menopausa com dor associada à endometriose e que não podem ou não desejam realizar cirurgia, inibidores da aromatase podem ser considerados em situações específicas. Esses medicamentos reduzem a produção de estrogênio e precisam de acompanhamento médico especializado. A recomendação, entretanto, é baseada em evidências ainda limitadas.[8]
Cirurgia
Quando existem sintomas importantes, lesões suspeitas ou massas pélvicas, a cirurgia pode ser considerada tanto para tratamento quanto para confirmação diagnóstica através da análise histológica do tecido removido. [9]
A histerectomia não deve ser apresentada como uma “cura automática” da endometriose. Mesmo após retirada do útero e/ou ovários, lesões residuais podem continuar causando sintomas em algumas mulheres.[10]
Endometriose Intestinal na Menopausa: Quais os Sintomas?
A endometriose intestinal ocorre quando o tecido endometrial cresce no intestino. Na menopausa, este tipo de endometriose pode ser especialmente problemático, pois os sintomas podem ser confundidos com outras condições gastrointestinais comuns em mulheres mais velhas.
Os principais sintomas podem incluir dor abdominal ou pélvica, constipação, diarreia, distensão, dor durante a evacuação e, em alguns casos, sangramento intestinal.
Como esses sintomas também aparecem em diversas doenças gastrointestinais, principalmente após os 50 anos, eles precisam ser investigados e não devem ser atribuídos automaticamente à endometriose.
A avaliação pode envolver ultrassonografia especializada e ressonância magnética; atualmente, nem toda endometriose precisa de laparoscopia diagnóstica de rotina.[11]
Alimentação para Endometriose na Menopausa: O Que Pode Ajudar?
A alimentação não cura a endometriose, mas pode fazer parte de uma estratégia de cuidado voltada para saúde metabólica, controle do peso, qualidade da dieta e bem-estar geral.
Ainda não existe uma “dieta para endometriose” comprovada cientificamente. Por isso, a estratégia deve ser individualizada.
A alimentação pode ser uma aliada poderosa para mulheres que lutam contra a endometriose na menopausa, ajudando a gerenciar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Aqui estão algumas maneiras pelas quais a alimentação pode ajudar:
Redução da Inflamação
- Alimentos anti-inflamatórios: Incorporar alimentos ricos em ácidos graxos ômega-3, como peixes gordurosos (salmão, sardinha), sementes de linhaça e chia, pode ajudar a reduzir a inflamação.
- Frutas e vegetais: Consumir uma variedade de frutas e vegetais ricos em antioxidantes ajuda a combater a inflamação. Exemplos incluem frutas vermelhas, brócolis, espinafre e couve.
Equilíbrio Hormonal
- Fibra: Alimentos ricos em fibras, como grãos integrais, frutas e vegetais, ajudam a regular os níveis hormonais ao melhorar a eliminação de estrogênio através do trato digestivo.
- Fitoestrógenos: Alimentos que contêm fitoestrógenos, como soja, sementes de linhaça e legumes, podem ajudar a equilibrar os hormônios naturalmente.
Controle de Peso
Manter um peso saudável é importante para a gestão da endometriose. Dietas ricas em alimentos integrais, como legumes, frutas, proteínas magras e gorduras saudáveis, podem ajudar a controlar o peso e reduzir os sintomas.
Suporte Nutricional
- Vitaminas e minerais: Nutrientes específicos, como a vitamina D, cálcio, magnésio e vitamina B, são importantes para a saúde óssea e muscular, e podem ajudar a reduzir os sintomas da menopausa e endometriose.
- Suplementos: Em alguns casos, suplementos podem ser necessários para garantir a ingestão adequada de nutrientes essenciais. Sempre consulte um nutricionista ou médico antes de iniciar qualquer suplementação.
Veja tambem: Suplementos para menopausa
Redução de Alimentos Processados
- Evitar alimentos processados e açúcares refinados: Reduzir a ingestão de alimentos processados, açúcares refinados e gorduras trans pode ajudar a diminuir a inflamação e melhorar a saúde geral.
- Reduzir ou Cortar cafeína e álcool: reduzir álcool e moderar cafeína pode fazer sentido dentro de uma estratégia individualizada, especialmente quando essas bebidas pioram sintomas ou qualidade do sono
Veja tambem: Os piores alimentos para menopausa
Plano Alimentar Personalizado
Consultar um nutricionista especializado em menopausa pode fornecer um plano alimentar personalizado que atenda às necessidades específicas de cada mulher. Este plano pode incluir recomendações detalhadas sobre alimentos, horários de refeições e possíveis suplementos para ajudar a gerenciar os sintomas de maneira mais eficaz.
Perguntas Frequentes sobre Endometriose na Menopausa
Separamos algumas duvidas comuns que recebemos de pacientes em consultorio sobre endometriose na menopausa. Confira!
Endometriose acaba depois da menopausa?
Nem sempre. Muitas mulheres apresentam melhora dos sintomas devido à queda do estrogênio, mas a endometriose pode permanecer ativa e sintomática após a menopausa. [12]
Endometriose pode voltar na menopausa?
Sim. Lesões residuais podem continuar causando sintomas ou voltar a se manifestar, especialmente em determinadas situações hormonais. Por isso, o reaparecimento de dor pélvica depois da menopausa deve ser investigado.
Quem tem endometriose pode fazer reposição hormonal na menopausa?
Em alguns casos, sim. A decisão deve ser individualizada. Diretrizes da ESHRE permitem considerar terapia hormonal combinada em mulheres com histórico de endometriose, mas recomendam evitar terapia apenas com estrogênio devido à preocupação com doença residual. [13]
Endometriose na menopausa pode virar câncer?
A grande maioria das mulheres com endometriose não desenvolverá câncer. A doença não aumenta significativamente o risco geral de câncer, embora exista uma pequena elevação do risco absoluto para alguns tipos, especialmente câncer de ovário. Qualquer massa pélvica nova na pós-menopausa deve ser investigada adequadamente. [14]
É possível ter endometriose aos 50 ou 60 anos?
Sim. Embora seja muito mais comum durante os anos reprodutivos, a doença pode permanecer ativa depois da menopausa e existem casos diagnosticados nessa fase.[15]
Cólicas na menopausa são normais?
Cólicas ou dor pélvica podem ocorrer, mas dor persistente ou intensa depois da menopausa merece avaliação. Endometriose é uma possibilidade, mas existem outras causas ginecológicas, urinárias e intestinais que precisam ser descartadas.
Conclusão
A endometriose na menopausa é menos comum do que durante os anos reprodutivos, mas não deve ser ignorada. A queda natural do estrogênio costuma reduzir a atividade da doença, porém algumas mulheres continuam apresentando dor pélvica, alterações intestinais, desconforto sexual ou outros sintomas mesmo depois da última menstruação. [16]
Quando os sintomas surgem ou retornam após a menopausa, a avaliação ginecológica é especialmente importante para confirmar a causa e excluir outras condições. O tratamento pode envolver controle da dor, estratégias hormonais específicas ou cirurgia, dependendo de cada caso. [17]
A alimentação não substitui o tratamento médico da endometriose, mas pode complementar o cuidado, especialmente no controle do peso, qualidade nutricional, saúde intestinal, massa muscular e prevenção de doenças que se tornam mais relevantes após a menopausa.
Um nutricionista com experiência em menopausa pode ajudar a construir uma alimentação adequada aos sintomas, rotina e objetivos de cada mulher, trabalhando em conjunto com o acompanhamento ginecológico.

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